Artrite reumatoide: sintomas, diagnóstico e o que mudou no tratamento
Sua mão dói quando você acorda, e a dor só melhora depois de meia hora? Esse é o sintoma que mais manda paciente para o reumatologista — e quando o diagnóstico é artrite reumatoide, quanto mais cedo a avaliação, melhor o prognóstico. O paradigma atual do tratamento é que os primeiros 12 meses definem boa parte do que vai acontecer nos próximos 30 anos. O que é artrite reumatoide Artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica e autoimune. O sistema imune ataca erradamente os tecidos do próprio corpo — especialmente a membrana sinovial, que reveste o interior das articulações. A inflamação persistente destrói cartilagem, osso e tendão. Em quadros não tratados, o dano é permanente. Embora a articulação seja o alvo principal, a AR é doença sistêmica: pode afetar pele, olhos (esclerite), pulmões (doença pulmonar intersticial), coração (risco cardiovascular aumentado) e vasos. O risco de infarto em paciente com AR mal controlada é maior que na população geral — doença reumática bem tratada é também prevenção cardiovascular. No Brasil, a prevalência em adultos é estimada em 0,2% a 1% — cerca de 2 a 10 pessoas em cada mil. Por que acontece A causa não é única, mas em 2026 sabemos bastante sobre os fatores de risco: Sinais que levantam a suspeita Se a soma desses sinais estiver presente, a avaliação não pode esperar. Cada mês de atraso até o início do tratamento aumenta o risco de dano estrutural. {CTA: agendar-avaliacao-artrite} Como faço o diagnóstico Combinação de: Existem critérios formais (ACR/EULAR 2010) que pontuam esses elementos e permitem classificar a doença para fins científicos. Na prática clínica, o reumatologista usa os mesmos dados para fechar diagnóstico e iniciar tratamento. Tratamento: o que mudou O tratamento de AR passou por uma revolução nas últimas duas décadas. O conceito que orienta tudo hoje é o Treat-to-Target (T2T): o acompanhamento é guiado por meta, não por queixa. A meta é remissão clínica (ou baixa atividade de doença em quem já evoluiu). Se a meta não é atingida em 3 a 6 meses, a conduta muda — dose, associação, troca de classe. O arsenal disponível: Metotrexato.Base do tratamento há décadas. Comprimido semanal (oral ou subcutâneo). A maioria dos pacientes começa por aqui. Exige monitoramento de fígado e hemograma. Outros DMARDs sintéticos convencionais.Leflunomida, sulfassalazina, hidroxicloroquina. Usados isolados ou em combinação. DMARDs biológicos (bDMARDs).Entram quando a resposta ao metotrexato é insuficiente. Anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, infliximabe, golimumabe, certolizumabe), anti-IL-6 (tocilizumabe, sarilumabe), anti-CD20 (rituximabe), abatacepte. São aplicados por injeção subcutânea ou infusão venosa. DMARDs sintéticos alvo-específicos (tsDMARDs).Inibidores da Janus quinase (JAKinibs) — tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe. Comprimido via oral, eficácia comparável aos biológicos. Têm perfil próprio de segurança a ser discutido antes do início. Corticoide.Usado em baixa dose como ponte até o DMARD agir, ou em surto. Meta é desmamar em meses, não uso crônico em dose alta. Medidas não-farmacológicas que fazem diferença Tem cura? Cura definitiva, não. Mas a meta realista mudou — não é mais “conviver com a deformidade”, é remissão. Grande parte dos pacientes em tratamento moderno atinge remissão clínica e funcional, com ou sem medicação ativa. Uma minoria consegue sustentar remissão após desmame cuidadoso de DMARD. Nenhum desses cenários é compatível com diagnóstico feito tarde. Acompanhamento No começo, consultas frequentes (a cada 4-12 semanas) com ajuste até atingir a meta. Depois, a cada 3 a 6 meses se estável. Exames de controle ficam atrelados à medicação em uso. {CTA: agendar-consulta-artrite-reumatoide} Leituras relacionadas: {link-interno: reumatismo}, {link-interno: artrose} (para diferença entre artrite e artrose), {link-interno: exercicio-fisico-e-doencas-reumaticas}.
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